AUGUSTO LUITGARDS MOURA
 
 
O EX-LIBRIS
 
 
 

O ex-libris afirma a propriedade de um livro, sendo basicamente uma marca de segurança contra perda ou roubo. Essa locução latina que significa “dos livros” ou “dentre os livros”, nomeia, por extensão, as etiquetas gravadas ou impressas, de tamanho variável, que são apostas aos livros. Além de variarem quanto ao tamanho, os ex-libris variam na forma, composição cromática e assunto, e revelam, de forma artística, alguns dos ideais de seus proprietários.

Os primeiros ex-libris continham apenas os nomes de seus proprietários. Posteriormente, foram agregados brasões, monogramas, emblemas e alegorias com iniciais e inscrições, segundo as tendências artísticas de cada época.

A mais antiga referência histórica que se tem de uso de um ex-libris remonta ao ano 1400 antes de Cristo e integra o acervo do British Museum, em Londres. Trata-se de uma espécie de placa em cerâmica, aposta em uma caixa de papiros que pertenceram à biblioteca do faraó Amenófis III.

Com o desenvolvimento da Imprensa, no século XV, os ex-libris deixam de ser desenhados na capa dos manuscritos e começam a ser impressos por meio de técnicas como a tipografia, a xilogravura e a gravura em metal e fixados na folha de guarda ou primeiras folhas do volume.

O século XVIII é um ponto alto na história dos ex-libris. Foi nele que se produziram obras notáveis e de esmerado acabamento, com o emprego de técnicas de gravura em madeira, água-forte e buril.

São destaques que valorizam um ex-libris a competência de quem o desenhou, o gravou e o imprimiu, a composição cromática, a qualidade do papel e a técnica de impressão.

A sofisticação crescente dos ex-libris fez com que eles deixassem de ser considerados apenas como um aspecto periférico dos livros e passassem a ser vistos como verdadeiras obras de arte em miniatura. As ilustrações feitas por Dürer e Escher, entre outros artistas renomados, elevam o ex-libris, a partir da segunda metade do século XIX, à condição de objeto digno de ser colecionado.

O reconhecimento do valor artístico dos ex-libris desencadeou a proliferação deles e, em muitos casos, eles deixaram de ter seu propósito original – atestar a propriedade de um livro – para tornarem-se apenas itens de coleção. Para atender  essa nova demanda, algumas pessoas começaram a encomendá-los e outras a produzi-los em “escala industrial”. Essa prática tem sido condenada, ao longo dos anos, por colecionadores e apreciadores sérios dos ex-libris.